Bom dia, a Bolsa de Chicago inicia o mês de abril com leve alta nos principais ativos, ainda refletindo os relatórios do USDA da sexta-feira. O Departamento de Agricultura dos EUA surpreendeu o mercado com números baixistas para a soja e altistas para o milho.

A soja maio 17 sobe pouco mais de 2 pontos, após cair mais de 15 pontos na última sessão. A soja vem de 8 sessões de baixas consecutivas com a confirmação de bandeira de baixa e perda de importante suporte, atingindo o alvo nos US$9,50.

Nas intenções de plantio, a área de soja ficou em 89,5 milhões de acres, ante expectativa do mercado de 88,2 milhões de acres e 83,43 milhões da safra passada. A área de milho ficou em 90 milhões de acres, contra 91 milhões estimados e 94 milhões do ano anterior. A área de trigo ficou em 46,06 milhões de acres, contra 46,14 milhões da estimativa e 50,15 milhões de 2016.

Nos estoques trimestrais em 1º de março de 2017, os estoques de soja ficaram em 1,73 bilhão de bushels, ante expectativa de 1,68 bilhão e 1,531 bilhão de março de 2016. Os estoques de milho ficaram em 8,6 bilhões de bushels, ante expectativa de 8,5 bilhões e 7,8 bilhões de 2016. Os estoques de trigo ficaram em 1,655 bilhão de bushels, contra 1,63 bilhão da expectativa e 1,37 bilhão de 2016.

A colheita de soja no Brasil atingiu 74% na quinta-feira, contra 76% do ano passado e 70% da média dos últimos 5 anos, segundo a AgRural. A colheita do milho 1ª safra no Centro-sul atingiu 63%, contra 60% da média de 4 anos.

A colheita de soja no Mato Grosso atingiu 98,79% na sexta-feira, um pouco mais acelerado do que os últimos anos, segundo o IMEA. A produção nesta safra deve chegar a 31 milhões de toneladas, contra 27,8 milhões da temporada anterior.

A colheita de soja no Rio Grande do Sul atingiu 35% na última sexta-feira, contra 25% da safra anterior e 32% da média dos últimos anos, segundo a Emater-RS. A colheita do milho atingiu 70%, contra 68% do ano passado e 57% da média.

O dólar opera em alta frente a outras moedas. Nesta semana temos a divulgação do relatório de empregos ADP na quarta-feira e do Payroll na sexta-feira. Nesta semana também, o presidente dos EUA, Donald Trump, recebe o presidente da China, Xi Jinping, no resort Mar-a-Lago, na Flórida.

No Brasil, a moeda abriu estável e agora vale R$3,1171, -0,38%, (10h45). Nesta semana, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) começa a julgar a ação que pede a cassação da chapa Dilma-Temer nas eleições de 2014. O processo apura se a campanha de 2014, recebeu dinheiro de propina e se beneficiou do esquema de corrupção que atuava na Petrobras. A sexta-feira foi marcada pela briga para a formação da Ptax, que fechou o dia em R$3,1684, com 1,4% de alta em relação ao dia anterior. Após a formação da taxa, os comprados começaram a liquidar as posições e o dólar acabou fechando o dia com baixa de 0,41%, a R$3,1311.

O Banco Central divulgou na manhã de hoje o novo boletim de mercado Focus. A estimativa para a inflação deste ano passou de 4,12% para 4,10%, e a estimativa para o crescimento do PIB permaneceu em 0,47%. A meta da taxa Selic foi reduzida de 9% para 8,75% para o fim do ano. O dólar deve terminar 2017 em R$3,25. Para 2018, a estimativa para a inflação permaneceu em 4,5%, o PIB em 2,5%, a meta da taxa Selic em 8,5%, e o dólar em R$3,40.

As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em alta hoje, enquanto as bolsas chinesas permaneceram fechadas nesta segunda-feira devido a um feriado nacional. O restante das bolsas mundiais operam em queda no dia de hoje. No Brasil, o Ibovespa abriu com leve alta e agora opera nos 65.515, +0,58% (10h45). O Ibovespa caiu 0,43% nesta sexta, aos 64.984 pontos, no mês, a bolsa caiu 2,52%.

Os futuros do petróleo operam próximo a estabilidade neste início de semana, após subir quase 10% na semana passada, com o crescimento menor do que o esperado nos estoques dos EUA.


CLIMA

 

No Brasil, chuvas em boa parte do país nesta semana.

Previsão de Precipitação Brasil, 7 dias, em milímetros.

As chuvas ficam acima da média em todo o Sul e parte do Centro-oeste.

Previsão de Desvio de Precipitação Brasil, 7 dias, em milímetros.

Na Argentina, chuvas devem atrasar ainda mais o andamento da colheita da soja e milho.

Previsão de Precipitação Argentina, 7 dias, em milímetros.

Previsão de Desvio de Precipitação Argentina, 7 dias, em milímetros.

Precipitação Acumulada Argentina, 24 horas, em milímetros.

Nos EUA, chove em boa parte do Meio-oeste nesta semana.

Previsão de precipitação EUA, 5 dias, em polegadas.

As temperaturas ficam acima da média em toda a região.


PRÊMIOS

Paranaguá

Golfo do México – EUA


MATÉRIA DO DIA

 

Por que dois melões e um cacho de uvas podem custar o mesmo que um carro novo no Japão
BBC Brasil


Em 2016, dois melões colhidos na cidade de Yubari, no norte do país, foram vendidos em um leilão por US$ 27 mil (R$ 84,2 mil)

Qual presente seria capaz de despertar um sorriso maior: um carro ou uma cesta de frutas com dois melões e um cacho de uvas?
Para muitos, a resposta óbvia seria o veículo. Mas não no Japão, onde as frutas têm valor especial como presentes.
E, em alguns casos, podem custar mais que um carro: em 2016, dois melões colhidos na cidade de Yubari, no norte do país, foram vendidos em um leilão por US$ 27 mil (R$ 84,2 mil).
Em junho daquele mesmo ano, um cacho de uvas do tipo Ruby Roman (vermelhas e do tamanho de uma bola de ping pong), foi comprado por US$ 11 mil (R$ 34,3 mil).
Mas por que os japoneses pagam fortunas por frutas que em qualquer mercado do mundo alcançariam preços bem mais modestos?
“Um amigo japonês me disse que essa pergunta equivale a alguém nos perguntar no Ocidente porque apertamos as mãos como saudações”, explica Bianca Bosker, blogueira especializada em temas japoneses.
Mas a resposta combina a tradição japonesa de dar presentes como forma de agradecimento com a habilidade dos agricultores para cultivar frutas especiais que reluzem quase como joias.
“Uma pessoa pode viver sem comer frutas”, diz à BBC Ushio Oshima, proprietário da Sembikiya, loja de Tóquio especializada em frutas de luxo.
“No Japão, nos especializamos em dar frutas como presentes”, acrescenta.
Na loja, que mais parece uma joalheira, há frutas que podem custar até US$ 13 mil (R$ 40,6 mil).
Para que as frutas alcancem esse valor, o processo é complexo e rigoroso: durante séculos, os japoneses aperfeiçoaram a forma de produzir frutas e carnes.
Durante séculos, japoneses aperfeiçoaram a forma de produzir frutas e carnes
Melões e uvas têm atenção especial, e os primeiros frutos da estação são ansiosamente esperados, recebendo até um nome específico em japonês: hashiri.
“Todas as frutas que custam fortunas são hashiri”, diz a blogueira Bosker.

Cultivo rigoroso
Yubari é uma cidade na ilha de Hokkaido, no norte do Japão, que se tornou famosa nos últimos 50 anos pelos melões e pelos métodos de cultivo rigorosos.
“Há cada ano, há uma nova família de sementes. Quando os primeiros frutos, que estão em um ambiente controlado, começam a crescer, os defeituosos são descartados”, diz à BBC Masaomi Susuki, um dos principais agricultores da região.
Os melões são plantados em uma terra rica em cinza vulcânica e regada com um método em que até a pureza da água é controlada. Seu funcionamento é quase um segredo de Estado.
“O cultivo comum passa por deixar crescer vários frutos de uma mesma planta, enquanto nós permitimos apenas um. E todos os frutos estão colocados em uma mesma altura”, conta Susuki.
São famosas entre os japoneses fotos dos melões cobertos com uma espécie de chapéu de lona para que cresçam perfeitamente redondos.
“Dessa forma, fazemos com que os frutos cresçam de forma sustentável e com a quantidade perfeita de sol e sombra. Isso controla até o quão doce o melão será”, explica o agricultor.
A arte desses melões é dominada por menos de 150 fazendeiros em todo o Japão e, segundo as autoridades de Yubari, respondem a 97% da receita da pequena localidade.
Os hashiris são colhidos em maio.
“O sabor do Yubari King, como são conhecidos os melões, fica entre doce e picante. É uma mistura de varieades americanas e europeias”, diz Laura Conde, especialista em gastronomia da revista americana Vanity Fair.
Leilões
No Japão, leilões são um fenômeno cultural: no mercado de peixes de Tusikiji, en Tóquio, compradores se reúnem nas primeiras horas da madrugada para disputar o melhor atum.


Kiyoshi Kimura pagou cerca de US$ 117 mil (R$ 365,3 mil) por 200kg de atum en janeiro de 2016
As sessões são um espetáculo marcado por gritos, ofertas urgentes e que terminam com algum preço astronômico sendo alcançado.
Em janeiro de 2016, por exemplo, Kiyoshi Kimura pagou US$ 117 mil (R$ 365,3 mil, em valores atuais) por um atum de 200kg.
“Os leilões do início do ano têm preços muito maiores, porque os compradores buscam uma espécie de sorte para o resto do ano”, explica o correspondente da BBC no Japão, Rupert Wingfield-Hayes.
As frutas que “escapam” dos leilões vão parar em lojas de frutas de luxo, como a Sembiyika.


Mangas também são leiloadas no Japão
Além da qualidade das frutas, a embalagem também faz diferença.
“No Japão, a tradição estabelece duas temporadas para presentes: o verão e o inverno. E não se limita às famílias: é também um gesto de agradecimento a chefes ou sócios”, explica o proprietário da loja.
Daí a importância da apresentação – mais precisamente de embalagens meticulosas, mas sem ostentações -, parte do ritual que acompanha as compras de grande parte da sociedade japonesa.
“As frutas precisam de brilho e ser bem apresentadas. É por essa combinação que as pessoas pagam”, diz Oshima.


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