Bom dia, a Bolsa de Chicago opera estável com a cautela antes do relatório de oferta e demanda do USDA que será divulgado no início da tarde de amanhã.

O USDA divulga nesta quarta-feira (10) o relatório de oferta e demanda de maio, com a primeira estimativa para a temporada 2017/18. Os estoques de soja da safra velha devem ter leve queda enquanto os estoques de milho devem ter leve alta. Para a safra 2017/18 de soja, expectativa dos estoques em 555 milhões de bushels e de 2,12 bilhões de bushels para o milho. Para a safra Sul-americana, expectativa de leve aumento na produção de soja e milho do Brasil e manutenção na safra da Argentina.

A China importou 8,02 milhões de toneladas de soja em abril, segundo a Administração Geral de Alfândegas da China. O volume representa um aumento de 13,4% em relação ao mesmo mês do ano passado. Em março as importações de soja somaram 6,33 milhões de toneladas.

Fundos vendedores ontem estimados em: 9.500 contratos de milho; 5.000 contratos de trigo; 4.000 contratos de soja; 1.500 contratos de farelo de soja.

A Conab divulga nesta quinta-feira (11) o 8º levantamento de safra de grãos do Brasil.

O Imea divulgou ontem novas estimativas para a safra de soja e milho do Mato Grosso. A estimativa de produção da safra de soja foi elevada para 31,23 milhões de toneladas, ante 31,04 milhões da estimativa anterior e 27,81 milhões de 2015/16. O incremento na produção veio com o aumento na produtividade, que passou de 55,06 sacas por hectare para 55,4 sc.ha-1 nesta estimativa.

A área semeada de milho do MT foi revisada de 4,57 milhões para 4,7 milhões de hectares, um aumento de 421 mil hectares em relação à safra anterior. A expectativa é de que a produtividade média no estado fique em 98,8 sc.ha-1, contra 96,6 sc.ha-1 da estimativa anterior, totalizando uma safra de 28,1 milhões de toneladas, contra 19,1 milhões de 2015/16.

O USDA divulgou ontem o relatório de embarques semanais de grãos dos EUA. Os embarques de soja na semana encerrada no dia 4 foram de 349 mil toneladas, contra 552 mil da semana anterior e 145 mil do mesmo período do ano passado. Na temporada, os embarques somam 49,79 milhões de toneladas, contra 43,06 milhões do ano anterior. Os embarques de milho foram de 720,6 mil toneladas, contra 1,1 milhão da semana anterior e 1,15 milhão do ano passado. Na temporada, os embarques de milho somam 39,18 milhões de toneladas, contra 25,33 milhões da temporada anterior.

O plantio de soja nos EUA atingiu 14% no domingo, contra 21% do ano passado e 17% da média.

O plantio de milho nos EUA atingiu 47%, contra 61% do ano anterior e 52% da média dos últimos anos. A emergência atingiu 15%, contra 25% do ano passado e 19% da média.

O dólar opera em alta frente a outras moedas. Na agenda de hoje, relatório de empregos JOLTs nos EUA e discursos de membros do Federal Reserve.

No Brasil, a moeda abriu com leve alta e agora vale R$3,1926, -0,11% (10h20). O Banco Central segue sem intervir no mercado de câmbio. Em junho, vencem US$ 4,4 bilhões em swap cambial tradicional. A Comissão especial da Câmara deve retomar hoje a votação da reforma da Previdência, interrompida na última quarta-feira (3). Ontem a moeda subiu 0,66%, a R$3,1959, o maior valor desde janeiro.

A inflação medida pelo Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) recuou 1,24% em abril, após recuo de 0,38% em março, segundo dados da FGV. O recuo veio maior do que o esperado pelos analistas, que previam queda de 1%.

As bolsas asiáticas fecharam praticamente estáveis no dia de hoje. O restante das bolsas mundiais operam em alta. Ontem os índices S&P 500 e Nasdaq voltaram a renovar máximas históricas.

Os futuros do petróleo operam com leve baixa, acompanhando as perdas de outras commodities. Ontem o ministro de Energia da Arábia Saudita, Kalid al-Falih, anunciou a possibilidade de manter o corte na produção nos países da OPEP até 2018.


CLIMA

 

No Brasil, instabilidades provocam chuvas no RS e SC, divisa com Argentina e Paraguai no dia de hoje. No restante do país, um sistema de alta pressão deixa o tempo seco, com umidade relativa do ar baixa na região central.

Previsão de Precipitação Brasil, 24 horas, em milímetros.

Na Argentina, tempo predominantemente seco no dia de hoje.

Previsão de Precipitação Argentina, 24 horas, em milímetros.

Precipitação Observada Argentina, 24 horas, em milímetros.

Nos EUA, tempo predominantemente seco no dia de hoje, com chuvas isoladas.

Previsão de precipitação EUA, 24 horas, em polegadas.

Precipitação Observada EUA, 24 horas, em milímetros.


PRÊMIOS

 

Paranaguá

Golfo do México – EUA


MATÉRIA DO DIA

 

A megausina de energia solar encravada no deserto que pretende abastecer a Europa

Sandrine Ceurstemont, Da BBC Future


GETTY IMAGES
Enorme complexo fica ao pé da cordilheira do Atlas, a 10 km de Ouarzazate
O micro-ônibus atravessa um enorme planalto em uma estrada recém-pavimentada do deserto de Marrocos. O chão é de terra seca e está cheio de rachaduras.
Ainda assim, a região não parece tão desolada quanto já foi no passado. Neste ano, ela virou o lar de uma das maiores usinas solares do mundo.
Centenas de espelhos cruzados, cada um deles maior que um ônibus, estão enfileirados cobrindo 1,4 quilômetro quadrado de deserto, uma área do tamanho de 200 campos de futebol.
O enorme complexo está em um local ensolarado ao pé da cordilheira do Atlas, a 10 km de Ouarzazate, uma cidade cujo apelido significa “porta do deserto”. Com cerca de 330 dias de sol por ano, é o lugar ideal.
Além de suprir as demandas domésticas de energia, o Marrocos espera um dia poder exportar energia solar à Europa. Essa usina tem o potencial para ajudar a definir o futuro energético da África e do mundo.


Centenas de enormes espelhos curvados estão enfileirados na usina

No dia da visita da reportagem da BBC, porém, o céu estava coberto de nuvens. “Nenhuma eletricidade será produzida hoje”, disse Rachid Bayed, da Agência Marroquina de Energia Solar (Masen, na sigla em inglês), responsável por implementar o projeto.
Um dia de “folga” não os preocupa. Atualmente, a energia solar está sendo adotada por vários países que passaram a vê-la como a mais abundante fonte de energia limpa.
Essa usina marroquina é apenas uma entre várias outras na África, e outras parecidas estão sendo construídas no Oriente Médio, na Jordânia, nos Emirados Árabes Unidos e na Arábia Saudita. O custo cada vez menor da energia solar a tornou uma alternativa viável mesmo nas regiões mais ricas em petróleo do mundo.
Noor 1, a primeira fase da usina marroquina, já ultrapassou expectativas em termos de quantidade de energia produzida. É um resultado encorajador para o objetivo do Marrocos de reduzir a produção de combustíveis fósseis ao focar em energias renováveis e ainda assim atender às necessidades domésticas, que crescem em 7% todos os anos.
A estabilidade do governo e da economia do Marrocos ajudou o país a conseguir investimento da União Europeia, que financiou 60% dos custos do projeto Ouarzazate.
Com cerca de 330 dias de sol ao ano, a região de Ouarzazate é um local ideal para a usina solar
O país planeja gerar 14% de sua energia através do sol até 2020 e acrescentar outras fontes renováveis como vento e água ao plano com o objetivo de produzir 52% de sua própria energia até 2030.
Isso torna o Marrocos mais ou menos alinhado com países como o Reino Unido, que quer gerar 30% de sua eletricidade através de energias renováveis até o fim da década, e os Estados Unidos, onde o ex-presidente Barack Obama havia determinado índice de 20% até 2030.
Donald Trump ameaçou cortar o financiamento às energias renováveis, mas talvez suas ações não tenham grande impacto, já que muitas políticas são controladas por Estados e que grandes companhias já começaram a adotar fontes mais limpas e baratas.
Os refletores da usina geralmente podem ser ouvidos enquanto eles se movem para seguir o sol como um campo gigantesco de girassóis. Os espelhos filtram a energia do sol e esquenta um óleo sintético que segue por uma rede de canos.
As temperaturas podem chegar a 350ºC e o óleo quente é usado para produzir vapores de água em alta temperatura, alimentando um gerador movido a turbinas. “É o mesmo processo dos combustíveis fósseis, só que usamos o calor do sol como fonte”, diz Bayed.
A usina continua gerando energia mesmo após o pôr do sol, quando a demanda chega ao pico. Parte dessa energia é guardada em reservatórios feitos de nitrato de sódio e potássio, o que mantém a produção por até mais três horas. Na próxima fase da usina, a produção continuará por até oito horas após o sol se pôr.
Quando estiver em força total, a usina empregará entre 50 e 100 funcionários
Além de aumentar a produção de energia do Marrocos, o projeto Ouarzazate está ajudando a economia local. Cerca de 2 mil funcionários foram contratados durante os dois anos iniciais da construção, sendo que muitos deles são marroquinos.
Estradas foram construídas para criar acesso à planta e conectá-la às cidades mais próximas, ajudando as crianças a chegar até a escola. Além disso, uma grande quantidade de água foi levada ao complexo através de encanamentos, dando acesso a água para mais 33 vilarejos.
Masen também ensinou práticas sustentáveis a fazendeiros da área. No pequeno vilarejo de Asseghmou, a 48 km da cidade de Ouarzazate, a forma como ovelhas são criadas mudou.
A maioria dos fazendeiros ali dependiamm apenas de sua experiência, mas agora estão entrando em contato com técnicas mais confiáveis, como simplesmente separar os animais em suas gaiolas, o que está aumentando a produtividade.
A Masen também doou ovelhas para criação a 25 fazendas. “Agora eu tenho mais segurança nos alimentos”, diz Chaoui, dono de uma fazenda local. E sua amendoeira está prosperando graças às dicas de cultivo.
Ainda assim, alguns locais se preocupam com a usina. Abdellatif, que viva na cidade de Zagora, 120 quilômetros ao sul dali, onde há taxas mais altas de desemprego, acha que Masen deveria se concentrar em criar empregos permanentes.
Ele tem amigos que foram contratados para trabalhar lá, mas apenas por alguns meses. Uma vez que entrar em operação total, a usina empregará entre 50 e 100 funcionários, apenas. “Os componentes da usina são feitos no exterior, mas seria melhor produzi-los aqui para gerar trabalho contínuo para os moradores locais”, diz.
A usina solar usa uma enorme quantidade de água da represa El Mansour
Um problema maior é a enorme quantidade de água que a usina utiliza da represa de El Mansour Eddahbi. Nos últimos anos, a escassez de água tem sido um problema na região semidesértica e houve cortes no fornecimento.
A agricultura ao sul do Vale Draa depende da água da represa – ocasionalmente despejada no rio local, que geralmente é seco. O coordenador da usina, Mustapha Sellam, diz que a água usada pelo complexo representa 0,05% do abastecimento, pouco comparado à sua capacidade.
Ainda assim, o consumo da usina é o bastante para fazer uma diferença na vida dos fazendeiros locais, que já enfrentam dificuldades. É por isso que a usina está tentando reduzir a quantidade de água que consome, utilizando ar pressurizado para limpar os espelhos.
Além disso, a água usada para resfriar o vapor produzido pelos geradores é reutilizada para produzir mais eletricidade.
Há novas sessões da usina em construção no momento. A Noor 2 será parecida com a 1, mas a 3 terá um design diferente. Em vez de espelhos enfileirados, ela vai capturar e guardar a energia solar através de uma torre única, que acredita-se ser mais eficiente.
Sete milhares de espelhos retos serão dispostos ao redor da torre para capturar e refletir os raios de sol em direção a um capturador no topo dela, usando menos espaço do que as filas de espelhos exigem hoje. Sais derretidos no interior da torre vão capturar e armazenar o calor diretamente, sem a necessidade do óleo quente.
Sistemas parecidos já estão em uso na África do Sul, na Espanha e em alguns lugares nos Estados Unidos, como no deserto Mojave, na Califórnia e em Nevada. Mas, com uma altura de 26 metros, a estrutura de Ouarzazate será a mais alta do tipo no mundo inteiro.
A quantidade de sol da África pode tornar o continente um exportador de energia solar no futuro
Outras usinas similares estão em construção no Marrocos. O sucesso dessas usinas no Marrocos e na África do Sul podem incentivar outros países africanos a adotar a energia solar.
A África do Sul já entrou na lista dos dez maiores produtores de energia solar do mundo, e Ruanda tem a primeira usina do tipo no leste africano, criada em 2014. Há também planos de construção de usinas solares em Gana e Uganda.
O sol da África pode um dia transformar o continente em um exportador de energia para o resto do mundo. Ao menos Sellam tem grandes expectativas em relação a Noor. “Nosso principal objetivo é a independência energética, mas, se um dia estivermos produzindo a mais, podemos suprir outros países”, diz.


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